quarta-feira, 22 de maio de 2013

Ópios e Rodopios nos Trópicos


Ópios e Rodopios nos Trópicos

Livro em Português

KINDLE - Amazon
EM PAPEL - Impressão sob demanda

Autor: Carlos Umberto Pozzobon
Palavras: 122.000


Escrevi este livro no inverno de Michigan, entre 1984/85, onde residi por algum tempo. Não consegui terminar. Como escrevo compulsivamente, no ano passado fui assaltado pela vontade de escrever mais uma novela. Então, ao remexer meu antigo baú, encontrei aquela pasta azul de capa dura, pálida, quietinha, envelhecida, desprezada. Comecei a lê-la e, algumas frases depois, fui assaltado pela surpresa de que eu havia mudado muito pouco, desde então. E, por fim, com a nova tecnologia dos livros digitais, não vacilei em transformá-lo em e-book.

Mas, como o livro mesmo inacabado estava longo, cortei tudo o que me pareceu excessivo, agindo com implacável autocrítica. Espero que seja apreciado pelos cem leitores aos quais Voltaire se referiu - em pleno século XVIII - quando falou de sua expectativa de ser lido.

O argumento do livro é a vida universitária de um grupo de amigos, que se expressam com a linguagem típica do período de maior irreverência e excitação de suas vidas: a juventude em um tempo em que não havia o constrangimento do politicamente correto.

Alguns diálogos ingênuos se misturam com análises bastante acuradas da primeira metade dos anos 70, período em que se discute o contexto cultural do país durante o regime militar. Espero que o leitor que viveu esse período da nossa história possa identificar nos diálogos o espírito da época, a razão por que num determinado momento as preocupações humanas são de um tipo e não de outro. Afora isso, minha intenção foi divertir o leitor e fazê-lo penetrar nessa selva amazônica chamada espírito humano, que é a função maior da literatura.

Algumas ideias dessa época eu não apoio mais, mas as mantive por coerência com o passado, como a questão do desenvolvimento tecnológico que à época não era sentida como um problema de natureza burocrática da nossa sociedade. Sucessivos fracassos da nossa brasilidade me ensinaram que o ecossistema alfandegário, tributário e normativo de uma sociedade, são mais estimuladores do desenvolvimento do que o planejamento governamental. Um grupo de empreendedores pode fazer uma revolução tecnológica se, em vez de ser sufocado pelos cipós da burocracia, puder percorrer a estrada livre e pavimentada para a sua velocidade de cruzeiro, seguido por uma geração ávida por inserção na apaixonante dinâmica desse processo. Mas esse é um assunto para a nossa época e não para aquele passado de jovens insolentes dos anos 70.

Como, presentemente, alguns grupos tratam de se apoderar dos acontecimentos daquela época com suas visões obliteradas pelo proveito político de se apossar da história, meu depoimento vai em direção contrária à corrente que está nos levando ao ponto de crise que já vivemos no passado, mas que foi esquecida pela terrível mistificação que se apossou do Brasil com a finalidade de criar versões ridículas e destorcidas da realidade.

Estamos vivendo uma época em que não se reconhece que o fracasso daquele regime dos anos 70 criou o regime atual, que por sua vez está fracassando exatamente por cometer os mesmos erros do ancien régime, não obstante parte considerável da Nação afirmar que só sairemos da crise se retornarmos ao regime do passado. Então, ficamos assim: um fracasso gera um novo período político, que se transforma em fracasso, que aspira ao retorno do velho fracasso. Se, como cantava Nelson Gonçalves, o fracasso na canção de Mário Lago é não poder se esquecer de um amor, no nosso caso, a falsa solução da crise virá exatamente pelo esquecimento: "fracasso por compreender que devo esquecer / fracasso porque já sei que não esquecerei / fracasso, fracasso, fracasso, fracasso afinal / por te querer tanto bem e me fazer tanto mal". Até quando vamos nos fazer tanto mal por absoluta amnésia do passado?

São Paulo, abril de 2013.


Nenhum comentário:

Postar um comentário

Seu comentário é bem-vindo.